homage

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Foto meramente ilustrativa. O texto pode versar sobre temas não-sexuais.
Foto via OMEdI

Já perceberam como os mamilos são supervalorizados?

Mamilo é a linha que separa o sensual do erótico; é a fronteira entre o bom gosto e o vulgar. Por quê? Ele não passa de um pedaço de carne muito menor que quaisquer outras partes que “podem” ficar à mostra.

Eu até entendo esconder a vagina e os pelinhos. Coisas entram lá. É misteriosa, úmida e tem cheiro. Serve para fazer xixi também. Não precisa ficar mostrando o tempo todo. Mas o mamilo não tem cheiro,  pêlos (normalmente) e não é um buraco. É super bonitinho.

Alguns rápidos exemplos práticos da omissão desnecessária de biquinhos:

- Esse vídeo não poderia estar no YouTube se mostrasse mamilos;

- Para ver mamilos, muita gente paga alguns reais para o Terra;

- Mamilos na publicidade? Nem pensar;

- A Barbie não tem mamilos, mas tem belas tetas.

For christ’s sake, a Vênus de Milo tinha mamilos! Ainda bem! Aliás, todos temos mamilos. Por que só os mamilos femininos não podem ficar à mostra? Por causa dos bebês?

Quanta hipocrisia.

Os biquinis modernos só escondem os mamilos e os pêlos pubianos. Tudo o mais fica à mostra. Então quer dizer que aqueles 5% de corpo escondidos por uma fina camada de tecido são muito menos inofensivos do que, digamos, coxas enormes, seios fartos e nádegas deliciosas?

Mamilos não podem aparecer na televisão antes das 22 horas. Mas a mulher melancia e toda a sua vulgaridade podem. Muito engraçado.

E o pior é que nós criamos todo esse mito em volta do mamilo. Nós colocamos o mamilo em um pedestal. Transformamos em um deus. E, pensando bem, até que é legal esse mistério mamilar: o que é proibido, o que é escondido, o que é desconhecido é muito mais excitante.

sete achismos

- Eu acho que o Barack Obama seria um ótimo presidente americano. Além de ser mais carismático que a Hillary, ele é mais bonitinho e parece ser mais liberal, no sentido econômico da palavra. Não acho que ele seja mais de esquerda que ela. Mas ele não vai ser eleito.

- Eu achei Família Savage um filme muito bom. Para quem se interessa por desconstrução e reconstrução de famílias, recomendo. E o Phillip Seymour Hoffman é o cara.

- Eu acho, apenas acho que oito músicas do disco novo do Weezer vazaram. E acho que você vai encontrá-las aqui. E acho que adorei todas.

- Achei a iniciativa do The Cure de lançar um single por mês a partir de amanhã até o final do ano louvável e inédita no mainstream. Devemos lembrar, no entanto, que no underground o NOFX e o Bishop Allen já fizeram isso, entre outros.

- Me obriguei a ver a entrevista da mãe da chatinha da Isabella ontem no Fantástico. Nada contra a Globo, mas nunca imaginei que teria de ouvir “O que você sentiu ao ver a sua filha?” em um veículo tão grande. Achei marrom bombom. Nem vejam.

-  Achei o Homem de Ferro do caralho. Quando tiver tempo falo mais dele por aqui.

-  Acho que o Ronaldo não deve gostar de travestis. Se eu gostasse e tivesse a grana que ele tem, iria para a Estônia - onde não sou conhecido e ninguém iria querer me achacar-  comê-los.

frio, chuva. e os nossos inimigos, onde estão?

Eu adoro chuva, de coração. Gosto de observar a chuva, de esperar a chuva, de me molhar na chuva e até de bolinho de chuva. Gosto de chuva fraca, chuva fininha, chuva completamente horizontal e de temporal. Adoro quando falta luz.Infelizmente, nossa sociedade (e os vírus) inventou que não podemos ficar o dia inteiro nos molhando na chuva. Para isso, inventaram tetos, telhas, lonas, capas e a coisa mais abominante do mundo: o guarda-chuva.

Eu odeio guarda-chuvas, de coração. Odeio sombrinhas, “morcegões”, portáteis e até os bonezinhos de guarda-chuva. Odeio os floridos, os pretos, os cinzas, os com desenhos do Mickey.

No entanto, eu possuo uma coleção de aproximadamente 13 guarda-chuvas, todos disfuncionais. Tenho guarda-chuvas só com o metal, guarda-chuvas sem o metal, guarda-chuvas só com alguns pedaços do metal. Todos pretos, que, embora eu os odeie, são os menos piores.

Meu problema com guarda-chuvas está intrinsecamente ligado ao número extenso de guarda-chuvas que eu possuo: eles sempre me deixam na mão quando eu mais preciso. O sentimento de abrir o guarda-chuva no meio daquele temporal inesperado quando você está saindo de algum lugar e ele fazer PLUFT e virar para o outro lado é de um constrangimento que talvez só se compare ao de uma criança gorda ao tentar dar uma ponta na piscina. Claro que isso se deve ao fato de eu me recusar a gastar mais de 5 reais num aparelho que eu vou utilizar no máximo 10 vezes por ano.

Outra coisa que me irrita e também contribui para o número de guarda-chuvas que tenho é que, no centro da cidade, os filhos da puta (todos da mesma, certamente) que os vendem somem nos dias secos. É impossível achar um só nesses dias. Quando pensamos em comprar um guarda chuva para prevenir-nos - onde estão? O engraçado é que nos dias de chuva chove também vendedor de guarda-chuva.

Guarda-chuvas também são causa de conflito familiar: meu pai não tem guarda-chuva, e os meus não funcionam. A quem recorrer nos dias de chuva? Mamãe. Mas mamãe comprou um guarda-chuva há uns anos atrás que é ÓTIMO. Mas é todo florido, uma gracinha. Além disso, não posso deixar a velha sem guarda-chuva, né?

Mesmo que eu consiga um guarda-chuva, e mesmo que ele funcione, eu vou me ferrar inevitavelmente: impossível andar em lugares movimentados em dias de chuva sem levar uma no olho, sem ter que ficar levantando o guarda-chuva o tempo todo - mesmo que os outros não o façam para você. Outra coisa: raramente um guarda-chuva protege os seus pés. Eles vão se molhar de qualquer maneira. Nada pior do que aquela sensação de estar todo sequinho - menos tênis e a parte de baixo da calça. Parece que você estava pescando.

Bom, abracinho. Vou curtir a chuva indoor agora.

probabilidades

Eram vinte para as oito ou dez para as oito da manhã, mas isso não importa. Eu parei no sinal vermelho e olhei para o lado, observando. De um buraco numa cerca alta saem duas meninas de uns onze ou doze anos, carregando mochilas e coisas que indicavam que elas estavam indo para a aula. Não sei se eram irmãs. Certamente não eram parecidas. Nada me garante que eram irmãs.

Nada me garante também que estavam indo para a escola. Há sempre a possibilidade de estarem indo trabalhar ou, pior ainda, se prostuituir, se drogar. Mas não aparentavam isso. Na verdade, pareciam ter ainda aquela inocência que quem tem onze ou doze anos tem. Já vi meninas de onze ou doze anos que não tinham essa dita inocência. Já vi meninas de onze ou doze anos, sem seios nem nada, de top, com a barriga de fora, piercing e os mais minúsculos shortinhos e saias possíveis, falando de baile funk. Triste.

Mas essa duas não pareciam ser desse tipo. Pareciam ser meninas até dedicadas, apesar de estarem meio atrasadas para a aula. Espero estar certo. Espero que elas tenham o que é preciso para sair daquele buraco na cerca. Espero que elas não pensem que um buraco na cerca ainda é melhor que um buraco no chão. É preciso sempre pensar que estamos na merda completa, senão não vamos para a frente - vide o Brasi; é mais ou menos assim. Enquanto acharmos que estamos bem, paramos. Quando temos a convicção de que nos fodemos de verdade, fazemos alguma coisa. Pena que nos últimos anos estamos sempre achando que estamos bem.

Não tenho nada a ver com as duas meninas. Normalmente não daria bola. Mas naquele meio minuto em que observei elas saindo daquele buraco e se dirgindo para a (espero) escola, torci por elas, de coração. Torci para que estudem. Torci para que façam faculdade. Torci para que se respeitem. Torci para que não apanhem. Torci para que façam o que querem. Torci que se mudem para um buraco melhor. Torci para que o naturalismo esteja errado e permita que essas duas saiam ilesas do sistema destrutivo que alimentamos votando, comprando e calando.

Depois desliguei o cérebro, prestei atenção na rádio e dei a partida, inconscientemente feliz e anestesiadamente esperançoso, rumo ao meu dia mais ocupado.

a chave na janela

Envolto em uma experiência psicodélica promovida não por qualquer espécie de entorpecente, mas pela leitura do Kaddish, sentado estava em um banco da praça aguardando o início da aula que tanto atrapalha minha sexta-feira.

“O Horror” eu chorando - vê-la de novo - “O Horror” - Como se ela estivesse morta e com a podridão do funeral - “O Horror!”

Voltei, ela gritou mais ainda - levaram-na embora - “Você não é Allen”- observei seu rosto - mas ela passou por mim, sem olhar -

Quando derrrrepente a leitura do lamento fúnebre que Ginsberg escreveu em homenagem a sua louca doida morta mãe me foi interrompida por uma coisa peluda de tamanho médio, com manchas marrons e pretas. Um cão que se aproximava e punha as patas cheias de terra em minhas calças. Legal.

Sempre evito contato com caninos - por mais que eu goste deles -, afinal, nunca se sabe o que vai pegar deles. Pode ser algo simples e inofensivo como uma pulga até algo devastador como vermes. Mas de imediato simpatizei com aquele collie? cocker? vira-lata? Azar, depois eu lavo as mãos. Então fiz carinho com a mão direita apenas naquele bonito exemplar de chiuaua? schnauzer? vira-lata? Nunca sei.

A dona, sentada no banco ao lado, satisfaz minha dúvida:

- É um cocker. Fofo é seu nome. - ok, não foi bem assim que ela falou, mas aposto que ela quis falar assim.

A dona, uma senhora de faixa etária aproximadamente entre os 45 e os 55 anos, me pareceu simpática o suficiente para merecer uma constrangida puxada de papo.

- Ah, sim, um cocker. - fiz que entendia muito do assunto - meu irmão já teve um cocker, destruiu o apartamento dele.

- É, eles são muito bagunceiros - respondeu a senhora (senhora?) - mas esse aí já se acalmou, está com sete primaveras.

- Ah. O do meu irmão ele teve que dar, não aguentou.

- Era moço ou moça?

- Era uma cadela. Acho que elas são mais bagunceiras, não é? - por causa do cio e tal.

- Não, acho que não. Esse aí aprontou bastante no começo.

Pelo tom de voz da senhora percebi que provavelmente não foi uma escolha dela ter o cachorro, apesar de ela parecer gostar bastante do Fô, como ela o chamava. O cão era demasiadamente carinhoso e esfregava as costas na minha perna, implorando carinho. Foi bom aquilo. Ela fez um miado e o cão saiu a procurar um gato. Pena. Logo ele voltou, mas não dirigiu-se a mim. Avistou, ou cheirou, uma menina que se sentara em um terceiro banco, ao lado da senhora. Animais, tão promíscuous. Mal estabelecera uma relação comigo já estava procurando outras amizades. A menina fez carinho nele. Continuei nossa conversa.

- Ele é bem carinhoso, não é?

- Sim, muito. E hoje ele está especialmente carente. A mãe dele foi embora hoje.

Conclui que “a mãe” dele traduzia-se por “a filha da senhora”. Ah, legal, foi viajar para o feriadão. Ou mudou-se, um pouco mais triste.

- Ela era jovem como vocês.

Era?

Bendito seja Ele Quem leva todo sofrimento para o céu!
Bendito seja Ele no final!

Bendito seja Ele que constrói o Céu na escuridão! Bendito
Bendito Bendito seja Ele! Bendito seja Ele! Bendita
seja a Morte de Todos nós!

fotos da Mallu Magalhães

Então, sábado fomos ao show da ultramegasuper hype Mallu Magalhães, no Porão do Beco.

Primeiro, reflexões sobre o lugar: não tinha ido ainda ao tal do Porão. Achei bem bacana, arejado, mais espaçoso que o Cabaret e bem legal na parte de cima. A logística do pagamento das consumações que é meio estúpida - o caixa fica no fundo da pista de dança, no lado contrário da saída. Isso me irritou um pouco, na hora de sair, mas num dia sem fenômeno hype deve ser melhor. Ah, e o hagah (porque insisto em confiar no hagah?) dizia que era 15 reais o ingresso mas 8 reais para quem fosse de All-Star. Destruí meu calcanhar por nada, já que a moça da bilheteria disse que era só depois da meia-noite a tal promoção. Paciência.

Ok, agora a menininha de 15 anos que vocês já conhecem do MySpace e da entrevista do Jô Soares. O show estava programado para começar pontualmente às 21:00, até pela idade da guria. Mas a fila na frente da birosca às 21:00 em ponto indicava que começaria pelas 22:30. De fato, começou por aí.

Ela toca bem, e canta melhor ainda. Mas nada demais - ela tem 15 anos pelamordedeus, o que vocês esperavam? Aliás, devo dizer que ela canta melhor quando não está tocando. Fez isso em uma música que disse ser “tipo assim, meio Tom Waits” e que foi a melhor da noite. Tocou uma curtinha em francês também, bem legal. Tocou Tchubaruba, claro. E Folsom Prison Blues (que deve ser a única do Johnny Cash que ela sabe tocar) e terminou tocando a música fofa do filme Juno (Anyone Else But You).

Mas, eu tenho que dizer isso, apesar de parecer fofinha, abobadinha e até infantil para a idade, isso não passa de uma representação. Ainda vou formular melhor essa teoria, mas creio que a Mallu é uma invenção de alguma grande gravadora, ou mesmo de uma menor tipo a Trama. É sério. Um amigo esteve presente na coletiva que ela deu à tarde e disse que ela não fala daquele jeito o tempo inteiro. No próprio show deu para notar a falsidade em um dado momento. É mais uma representação para parecer mais especial do que já seria. Misturar puerícia e genialidade é uma boa estratégia de marketing. Ainda tem uns personagens que levam ela tão a sério que dão gargalhadas falsas quando ela contou uma história sem graça de um gato que caiu da janela ou coisa que o valha. Mas será que é ela mesma quem escreve suas músicas? Há de se investigar.

Mas eu me diverti.

PS.: Ei, pessoal do Google, vamos jogar uma pelada mais tarde?

o triste fim do apostador

“Meu fim não será tão simples assim. Não vai ser como cortar os pulsos ou pendurar-se no ventilador com uma corda amarrada no pescoço. Não vai ser amador como deixar o gás rolar ou dar um tiro na cabeça, fazendo toda aquela sujeira. Não. Minha morte vai estar inteiramente relacionada à minha sorte.A primeira idéia é entrar no ônibus como se fosse uma manhã qualquer. Partir para o trabalho ou para a aula. Caso entre um grupo de policiais no ônibus, eu rapidamente saco o revólver de um deles e apenas aponto para os outros, esperando que algum deles me dê um tiro. Se algum deles não me der um tiro, pretendo deitar no chão e chorar como uma criança, implorando perdão e dizendo que perdi o controle quando agarrei a arma.

Outra opção é entrar em um shopping center e - eu sei o que você está pensando: ‘que clichê, vai se atirar do segundo andar’ - ficar entrando e saindo das portas automáticas. Depois ficar parado no meio delas e torcer para ser esmagado. Caso isso não sirva para me matar, devo ir até o estacionamento e ficar correndo por lá, esperando ser ridiculamente atropelado.

Que tal comer com os mendigos e torcer para ser acometido por alguma espécie de doença para a qual meu corpo não possui anticorpos? Ficar quieto e não reclamar de nada, para nenhum familiar me arrastar ao hospital.

Começar a desenvolver aparatos que possibilitem o vôo humano. Como é muito provável que eu venha de fato a bater as botas dessa maneira, pelo menos deixarei um legado para as pesquisas dessa área.

Ir a um jogo do Inter com a camiseta do Grêmio ou vice-e-versa. Mijar do alto da arquibancada. Correr pelado no campo para ser espancado pelos PMs e depois xingar a mãe de cada um deles. Caso não funcione, comer tudo que é servido ao redor do estádio.

Brincar de roleta russa com o cara mais sortudo da cidade.

Atravessar todas as ruas sem olhar para os lados, torcendo para ser atingido. Dirigir um veículo enlouquecidamente e entrar - com ele - de propósito em uma loja de vidros, torcendo para que os estilhaços atinjam meus órgãos vitais. Caso só atinjam órgãos não vitais porém importantes para a reprodução, apelar para um suicídio mais direto.”

volta ao mundo em 9 horas.

Ontem fomos na casa do Felipe. O plano era fazer um sushi - ele sabe fazer sushi - no almoço. Ok, chegamos lá por volta das 13:00, e o cara ainda estava de pijama. Mentira, ele estava bonitinho, mas ninguém avisou que iríamos de fato e ele não começou a preparar o arroz. É que tem que esperar o arroz esfriar né. Aí entra a lição #1 - Para o Sushi, Usar Arroz Uruguaio e lição #2 - Espalhar SUSHI-ZU (um preparado de vinagre de arroz, açúcar e outras coisas que não me lembro) no arroz antes de deixá-lo a esfriar.

Na espera pelo arroz, o exibidinho resolveu fazer uma Guacamole. Devo admitir que eu não esperava nada dessa guacamole. Aliás, pelas minhas experiências portoalegrenses-mexicanas, eu nem gostava de guacamole. Mas ficou muito bom. Eu, a Lê, a Renata e o Felipe comemos doritos demais e tomamos vinho chileno. Lição #3 - Guacamole sem ser homogênea, com pedacinhos de tomates e outras coisas que nela vão, é bem melhor.

No final esse foi o nosso “almoço”. Só começamos a fazer Sushi de fato lá pelas 16 horas, porque foi quando começou a chegar mais gente, e quando o arroz já estava friozinho. Cerveja. Daí foi o espertalhão lá pegar a esteirinha para enrolar as algas. Nossos recheios eram manga, kanikama, pepino, cebolinha e creamcheese. Aí fizemos diversas combinações com esses recheios. Inclusive com todos (deliciosa mistura de manga com cebolinha). Todo mundo enrolou um. Inclusive acho que já estou pronto para ser Sushiman. Lição #4 - Não molhe a alga, mas use o SUSHI-ZU para espalhar o arroz por ela, lição #5 Cortar o enrolado primeiro para frente depois para trás e lição #6 Enrolar o negócio com a esteirinha apertando de leve e direito.

Mas não acaba por aí! Fomos ficando…

À noite, nosso amigo resolveu surpreender-nos preparando um genuíno CRÊPE à SUZETTE, com um bônus extra de cobertura de CHOCOLATE por cima. Muito bom para encerrar a noite. Ele até flambou, com álcool. Lição #7 - Jamais use um acendedor de fogão para flambar seus crêpes.

A brincadeira toda, incluindo bebidas, Chile, México, Japão e França, saiu por 6 reais para cada um - isso tendo dividido por 7 pessoas. Valeu muito a pena e daria até para ter comprado um salmão ou algo do gênero. Sem falar nas companhias especiais.

Já volto.

…complicando ainda mais

Buscando no fundo da alma, que não existe, encontramos um buraco cercado de pregas. Dentro do buraco, que também não existe, encontramos um jardim idílico e sobrenatural, onde tudo floresce de qualquer maneira. Mais além, no jardim, que não existe, uma cerca, eletrificada com quantias inexistentes de volts e protegida por cães dos mais diversos. Além da cerca, que existe tanto quanto um unicórnio, e a qual ninguém pode nem deve ultrapassar, há uma cidade bonita e sépia. Nessa cidade, falsa cidade, cada residência possui um relógio grande daqueles que dão badaladas e um retrato de um cachorro parecido com a Lassie. Toda vez que o inexistente relógio toca as dez badaladas, um cuco sai de dentro do mesmo e toca uma música do David Bowie. Como David Bowie só existe em nosso mundo ínfimo, e não neste que estou a descrever, o que toca é um som estridente, parecido com um rádio fora de freqüência, mas estridente como o choro de uma criança desmamada.

O som, também uma farsa na falsa cidade, atrás da lendária cerca, além do jardim de flores de pano, no fundo do mítico buraco da nossa alma idealizada, não passa de uma tradução onírica para os nossos desejos mais obscuros, não tão obscuros quanto a idade ou a classe média, mas obscuros como nós, que somos criaturas tão reais quanto gnomos ou elfos, essas talvez mais reais que nós, uma vez que são criações e nós não passamos de coincidências.

Ah! Como seria bom se Deus e o Diabo de fato existissem e tivessem nos criado! A única certeza que temos é a de querer existir,  querer ter.

porque é demais.

 

Ah, caros, vocês merecem ouvir isso.

Vou até colar as letras, no maior estilo mulherzinha, para vocês cantarem junto ;).

As coisas estão passando mais depressa
O ponteiro marca 120
O tempo diminui
As árvores passam como vultos
A vida passa, o tempo passa
Estou a 130
As imagens se confundem
Estou fugindo de mim mesmo
Fugindo do passado, do meu mundo assombrado
De tristeza, de incerteza
Estou a 140
Fugindo de você
Eu vou voando pela vida sem querer chegar
Nada vai mudar meu rumo nem me fazer voltar
Vivo, fugindo, sem destino algum
Sigo caminhos que me levam a lugar nenhum
O ponteiro marca 150
Tudo passa ainda mais depressa
O amor, a felicidade
O vento afasta uma lágrima
Que começa a rolar no meu rosto
Estou a 160
Vou acender os faróis, já é noite
Agora são as luzes que passam por mim
Sinto um vazio imenso
Estou só na escuridão
A 180
Estou fugindo de você

Eu vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim

O ponteiro agora marca 190
Por um momento tive a sensação
De ver você a meu lado
O banco está vazio
Estou só a 200 por hora
(que mentira!)
Vou parar de pensar em você
Pra prestar atenção na estrada

Vou sem saber pra onde nem quando vou parar
Não, não deixo marcas no caminho pra não saber voltar
Às vezes, às vezes sinto que o mundo se esqueceu de mim
Não, não sei por quanto tempo ainda eu vou viver assim

Eu vou, vou voando pela vida
Sem querer chegar

O Rei.

.

Hoje avancei bastante em uma das minhas empreitadas, e fiquei entusiasmado.

Para o alto e avante, a 160… 190… 200….